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O hábito de fumar, cada vez mais comum entre as mulheres, que junto com a vida profissional ativa incorporou alguns vícios antes reservados ao sexo masculino, tem revelado um dado preocupante.
Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) mostram que, nos últimos 20 anos, a incidência do câncer de pulmão nas mulheres aumentou 134%, tornando-se o segundo câncer mais mortal no público feminino. Entre os homens, esse crescimento foi de 57%.
Só para se ter uma idéia, o câncer de mama, considerado o mais comum entre as mulheres, responde por 41 mil novos casos por ano, mas com nove mil óbitos, graças ao diagnóstico precoce e ao avanço no tratamento. Já o de pulmão, são sete mil novos casos por ano com cinco mil mortes. Nos países desenvolvidos, o câncer de pulmão já provoca mais mortes do que o de mama entre as mulheres.
O chefe do Serviço de Oncologia dos hospitais das Clínicas e do Vera Cruz, André Murad, observa que o tabagismo nas mulheres tem conseqüência mais desastrosa, pois elas apresentam mais facilidade em criar dependência e dificuldade em abandonar o vício, além de o tipo de câncer ser mais agressivo (adenocarcinoma), já que o tumor se instala em áreas periféricas do pulmão, consideradas menos protegidas por tecidos de revestimento.
Outra característica é a possibilidade de metástase a distância. André Murad explica que o advento do cigarro sem filtro e de baixo teor de nicotina fez com que os fumantes tragassem mais profundamente e mais vezes, de forma a compensar a diminuição dos componentes. Com isso, explica o médico, as substâncias cancerígenas são depositadas nessas áreas periféricas. “Estudos epidemiológicos feitos em Verona, na Itália, mostraram aumento da mortalidade por câncer de pulmão com cigarros de baixo teor", disse o oncologista.
Uma das dificuldades para alcançar a cura é que o diagnóstico geralmente é feito na fase avançada, pois o exame de raio X não consegue detectar lesão precoce, por isso a cura está em torno de 20%. Um método que ainda está sendo avaliado é a tomografia em espiral, que consegue rastrear de forma minuciosa o pulmão. “Para ser implantado, é preciso saber se esse exame ajuda a reduzir a mortalidade".
Parar de fumar é o conselho que Maria de Lourdes Reis, 80 anos, passou a dar, desde que descobriu o tumor, há três anos. Ela fumava desde os 15 anos e a doença a obrigou a retirar parte de um dos pulmões. Depois da quimioterapia, ela agora faz tratamento com um agente biológico molecular, um comprimido diário denominado Gefitimibe, que atua sobre as células cancerosas, preservando as saudáveis. “Esse tratamento é indicado quando falha a quimioterapia. Ele aumenta a sobrevida do paciente", disse o médico. Tosse, falta de ar, rouquidão, chiado no peito, produção de catarro com sangue e emagrecimento são indicativos para procurar um médico.
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