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Saúde On line - Artigo Saúde On line
Genética contra o câncer
O que era só promessa no combate ao câncer começa a virar realidade. Tecnologias genéticas já indicam com razoável grau de certeza aos médicos se um tratamento é eficaz ou qual fármaco age melhor em cada caso, como em tumores de mama, pulmão e intestino, mostra reportagem de Antônio Marinho, publicada neste domingo pelo GLOBO.
Semana passada, num estudo na revista "Nature", cientistas da Universidade Johns Hopkins, nos EUA, apresentaram um método para avaliar o efeito do tratamento anticâncer a partir da análise de fragmentos de DNA. Ao estudar mutações, oncologistas acertaram o alvo: os genes que comandam o crescimento de tumores.

Para o oncologista José Cláudio Casali, coordenador do Banco Nacional de Tumores do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o tratamento do câncer será cada vez mais individualizado. O tumor de mama é um exemplo. Uma das drogas mais indicadas contra esta doença é o tamoxifeno (que bloqueia a ação de estrógenos), metabolizado no fígado. Porém, mulheres com mutação no gene CYP2D6 ligado a uma enzima essencial para o efeito terapêutico não se beneficiam desta droga. E cientistas da Faculdade de Farmácia da Universidade Queen, em Belfast, descobriram que falhas no gene FKBPL prejudicam a resposta ao medicamento.

- Podemos saber quais pacientes se beneficiam de um determinado medicamento, quais metabolizam melhor a droga ou sofrem mais efeitos tóxicos - diz Casali.

Uma célula se torna cancerosa quando os genes que impedem sua multiplicação desenfreada entram em pane. Sem defesas anticâncer, há um caos com mais alterações e rearranjos de DNA nos cromossomos. Na Universidade Johns Hopkins, cientistas liderados por Bert Vogelstein e Kenneth W. Kinzler apostam no controle de células cancerosas por meio da análise de pedaços de DNA mutante no sangue. Se eles pudessem ser identificados, seriam ótimos marcadores. O médico saberia se removeu todo o tumor e se a quimioterapia está funcionando. Mas isso exige o sequenciamento de bilhões de unidades de DNA e sai caro (pelo menos US$ 5 mil).

Então a equipe da Johns Hopkins descobriu que mais de 80% dos tipos de câncer têm mutações em seu DNA mitocondrial (fornecedor de energia), e essas são mais fáceis de identificar porque o genoma é menor, de apenas 16 mil unidades.

A ideia de usar o DNA mitocondrial para investigar o câncer é só um exemplo de quanto a pesquisa avança. O problema é que o câncer é uma doença muito heterogênea, causada por múltiplos fatores, inclusive ambientais.


O Globo (13/03/2010)
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